sábado, 25 de junho de 2011

Carne.

Eu acho que como carne porque me identifico. Sou selvagem como animal, tenho sangue, posso ser gostosa e apimentada, porém, posso ser crua e sem sal, posso fugir do perigo, ser presa e predadora. Alguns me comem, uns me desgustam. Na vida tudo me soa natural. O meu prazer de comer animais irracionais é o mesmo prazer dos irracionais me comerem. Me soltem diante de leões.

O líquido que se molda.

Diante do desconhecido, nos tornamos deconhecidos também. A experiência e a maturidade ajuda, mas muita das vezes a loucura nos convence, o imediatismo nos convence, a situação nos convence. Por isso, acredito que sólido mesmo não existe, existe o líquido que se molda.

Paixão.

Estou completamente apaixonada, por isso devo estar mais maluca que o normal. Maluca no sentido de achar que qualquer prata pode se tornar ouro e que qualquer música romântica brega pode se tornar choro. Estou apaixonada mais uma vez porque sou maluca! Já caí tantas vezes... Mais uma ?Me visto de personagens impossíveis e me sinto em reinos distintos.


Doida varrida.

Me sinto varrida de consciência, de pudor e senso.

Mas como é gostoso o devaneio.

A paixão é devastadora, o que sinto me caçoa, sou vítima e autora.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Muralha.

To quase me desfazendo da muralha que um dia eu criei, não quero mais demonstrar força e pompa.
A gente vai ficando mais velho e vai percebendo que as coisas não passam de um cabaré de família.
As coisas sempre tem duas caras opostas. O bem e o mal, o feio e o bonito, o rico e o miserável. E muita das vezes esses adjetivos antagônicos andam na mesma calçada e no mesmo contexto.
Eu estava pensando em esquecer o meu orgulho em algum lugar. Andar livre dele. Mas tenho medo, pois não sei se as pessoas iram dar conta de uma pessoa sem orgulho. Acho que o orgulho serve como termômetro de muitas coisas, porém barreiras de muitas outras.

O replicante, o massante, o pulsante.

O replicante, o massante, o pulsante.
Ciclo vicioso.
O ardor que era delícia.
O ardor que é doença.
Não és póstumo, pois queima.
Não restaram cinzas, não deixo.
Admiro as cores, ando apagada.
O quão é fácil provocar tumulto, soa como insulto.
Passar borracha ?
Não desfaça o que fez, covarde.
E não me chame mais se não faço parte do que foi capaz, um dia...
Foi incapaz de prever agonia.
Já a ironia...

O descartável divino.

Agir? Murchar ?
Me pergunto e não tenho respostas de nada.
Gritar ao mundo, gritar ao vento, gritar a Deus ?
Não tenho tanta força mais.
Eu to vencida do que parece ser e não é.
O descartável se torna tão admirável quanto o divino.
E nisso eu morro e vivo, e nisso eu repreendo e aceito.
Não sei mais como guiar meus atos e nem palavras.
Calar?Falar ?Quietar-se ?Aceitar ?Rebelar-se ?
Procuro achar sentido no que as vezes nunca teve um.
Mas pq diabos as coisas dignas de passagem efêmera acontecem ?
Pra que tanta vida desperdiçada ?
Não me toma não, não me torna não, não me enlouquece não, VIDA.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Ao arreganhar aqueles dentes grandes e fortes o que se passava era uma infantilidade.


E toda aquela postura torta e sombra encorpada era passageira.

Gostava de rolar em poeira, e quando via que estava muito sujo se sujava mais ainda. Pedia tragos do que se pode tragar e inventava tanta coisa.

Intrigava a si mesmo o dom de ser tão versátil e de se contradizer tanto.

Quando o corpo era tomado por agonia rezava de forma íntima com Deus e mandava não o seu corpo, mas sua mente parar.

Esperava tanto por tanta coisa, e esperava com um ar doce de criança e unia tudo que vivia ao seus sonhos de forma literária e fantasiosa.

Nunca almejou por grandes conquistas, mas tinham três que eram projetos de vida.

Quando amuado inventava de ficar quieto, logo se perdia na volúpia.

E na solidão era quando se divertia, mas era sempre inquieto e necessitava do prazer mútuo.

Aprendeu a achar o feio bonito.

E quando se depara com o deslumbre torce o nariz.