domingo, 28 de fevereiro de 2010

Estranha.

Ando vagarosamente.
Me estranho, me pergunto.
Eu não sou de andar assim.
O que há em mim?
Quieta.
Sóbria.
Paciente.

Espero por um bem maior
Não sei por que bem esperar
Só sei que é grande
Me faz veia pulsar

Sentada, parada,
Com mil coisas a ansiar
Sei lá
Ando calma, como se nada quisesse
Buscar
Mas busco sim alguma coisa
Não sei demonstrar

A música lenta
Coração atento
Frio que me dá
Eu quero algo
Que só de pensar
Arrepio que dá

Não sei o que me deixa quieta
Com tanta alma pra cantar
Eu quero a vida
Eu quero a morte
Do que não suporto
Em mim estar.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Meu caso é esse acaso.

Meu nome hoje é tédio.
Acordei botando tudo pra fora, de forma nojenta, e tentei me socializar
Naquele lugar infernal
Eu estava sendo falsa.
Ando com preguiça social.
 Preguiça até de mim mesma.
Sempre clichê, sempre rotineira, previsiva.
Me recuso a sentir frio mecânico.
Me recuso adoecer, me entristecer
Começar tudo de novo
Mas não consigo me recusar.
Meu nome é impulso desde que nasci.

Não consigo me inquietar
Meu caso não é decisivo
É super momentâneo, uma peneira
de cerdas finas e exigente

Confesso que vezes ou outra
me perco em outras peneiras
São tantas da vida
São tantas em mim
Eu peço isso
Eu ganho

Não dou valor ao que
consigo
Sou uma eterna insatisfeita
Uma eterna exigente do mundo
Uma eterna cobradora de mim
Mas não recebo muita coisa, sempre
muito indisciplinada, torta

Rimo a vida comigo
E eu sou isso
Essa coisa
pequena
Essa coisa grande
De muitas veias, de um coração inchado
De um coração prestes a pedir arrego.

Palavras pra uma amiga bonita.

Você é bonita, amiga.


Respeita suas vontades,

Como quem quer mesmo

de verdade viver.



Sem hiprocresia ou timidez

de se fazer acontecer.

Enche-se a cada dia de

novidade, por medo de um dia

não mais as ter.

Se der certo ou errado,

não importa, a vida nos faz aprender.

Aprender que o tempo

é razão de quem sabe crescer.



Acredito no risco.

Você é corajosa e sabe arriscar.

Quem é bonita só de aparência

Tem medo da vida gozar.



Por isso te acho assim, bonita.

Os medos enfrenta

Goza do gozo que queres.

Te respeita e não te deixa ninguém usurpar.

Amor de intensidade picotada.

Meu amor, vamos rir um pouquinho?


Saudade da nossa festa.

Meu vestido todo perfumado de cachaça,cigarrilhas, e de muito afeto.

Esses encontros, esses desencontros, essas coisas de sintonia, de harmonia, num mundo tão desconexo, sem nexo, de muito sexo e pouco amor...

Sei lá te encontrar, que frio que dá, na minha barriga.

Você, pessoa que é, pessoa que é humana, ser da minha vida, que alegria!

Muito sorrisos ao saber disso.

Você e eu, muitas gargalhadas.

Caminhos que se cruzam, e fazem tranças, esperanças, bonanças, isso é vida.

Me sinto viva!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Simples assim: Foi.

- Vai pelo pescoço, bem assim, próximo a nuca, aham. Agora para. Se afasta, deixa eu te olhar, faz aquela cara. Isso, mostre-me os dentes, babe neles, sim, deixe cair. Sem pressa faça algum exercício. Não poderia ter escolhido outro melhor.

- Eu quero suor, malhe, força, mas com cuidado. Perfeito.
-Gosto do suor, posso provar?
- Uma mescla, não está tão salgado, picante.
- Não encoste em mim, só me provoque. Quero ver se é capaz.
- Me passe a língua com delicadeza bem no ouvido, susurra baixo, produza um som gostoso, um pouquinho nervoso. Ai, hum...
- Agora crava teus dentes em minhas costas, e arranhe ai atrás levemente. Aham, isso.
- Monta em cima de mim bem ferozmente,  não preciso te pedir caras e bocas, as suas estão seguindo um roteiro deliciosamente próprio.
- Me faça rir com cócegas com álcool natural. Meus dentes demonstram força. Quero usá-los também.
- Sim, bem aí.
- Estou pondo mais cor em você, e você em troca mais vida em mim.
- Deixa eu abrir a cortina, o sol ajuda nesse exercício, dá mais cor ainda, viço.
- Me empurra, agora me puxa, me empurra, agora me puxa.
 -Suave, devagarinho, subitamente, devagarinho, subitamente.
- Deixa eu dançr em você?
- Eu sei que quer, que sorriso de sim.
- Aham, valsinha ?
- Não, sambinha?
- Bossa, me perco, me embalo, me prendo.

- Elite, favela, donzela, nobreza, plebléia. Tudo gosta.
- Sei, que sim, hahaha.
- Você também, me mecaniza, me paraliza, faz, faz, não para, não para, não para.
- Parou?



- Foi.

- Sem graça, e eu?

Olfato das retinas.

Eu me perco nessa sua música
Cantada, susurrada.
Eu me perco nessas palavras loucas
Desgarradas.

Eu me perco toda onde não podia
Me perder
Não sei mais quem sou eu
Porque será que penso em
você?

Eu estou levando um soco
estratégico bem no meu pulsar
Há dias que não entendo
Porque gosto de apanhar.

Você me diz coisas que qualquer
uma quer ouvir
Sou mais qualquer uma
No seu papo a me atrair

É engraçado como a vida
É ao contrário
Me vejo agora reprimida
Em um pequeno refratário
Não posso me mostrar
Talvez não queira
Afinal, porque estou escrevendo
Tamanhas besteiras?

Sujeira a sua
Me lambuzo
Me perco
Nesse chiqueiro
Cheio de comidas
porcas
Mas eu gosto do mal cheiro
E caminhar por linhas tortas

Assim como me agrado de
Recife com sua fedentina
Me agrado do teu cheiro torpe
Parece loucura, mas eu cheiro
com minhas retinas.

Pes(soa).

Há pessoas e pessoas.
Pessoas que são pessoas.
Pessoas que são alguém.
Pessoas que insistem em ser niguém.

Pessoas que soam.
Outras que escutam.
Pessoas que sentam
Outras preferem alternar.

Umas por cima , outras por baixo.
Depois umas por baixo, outras por cima.
Outras preferem controlar.
Outras deixam passar.
Se deixam levar.

Outras vivem, outras existem.
Pessoas humanas.
Pessoas animais.
Pessoas boas, pessoas más.

Pessoa louca.
Pessoa louca, mas normal.
Pessoa que lê, outra sente.
Mas lê também

Pessoa fumante.
Pessoa passiva.
Pessoa ativa.
Pessoas que dá caldo.
Outras é o Knor.
Pessoas sem saco, sem útero,
sem braço, sem senso.
Pessoas que só passam.
Outras passarinho.

Pessoas assim, pessoas assado.
Pessoa doce.
Que não é mole não.
Pessoas que não dizem nada.
Mas que gera toda essa inspiração.

Parece que gosto.

Perigo ver o que não quero.
Mas eu quero tanto.
Eu quero do verbo querer.
Verbalizar, agir, matar.
Matar vontade, saciar,
Prazer, necessidade.

É assim sempre.
Visualizando.
Tendo consciência.
Mas errando.

Aposto no que quero.
Sei o que vou receber.
Sempre ganho mal amar.
E dores de doer.

Sabia, muito previsível.
Eu quero que ser torne
Essa confusão
Parece que gosto de vida.
Com ação.

Gordurosa.

Algo saliente, sabe?
Chega, escorrega nervosamente.
Chega e incomoda, é oleosa, muitos poros abertos.
Faz brinde e festeja, hora se fecha, e pensa muito.

Algo que é bom, mas faz mal em excesso.
É cheia de ais, nunca se contenta, mal do ser humano.
Parece bicho, mas é gente.

Algo crocante, mas indigesto.
Não se comporta bem, sempre
cutuca, retruca, machuca.

Se mexe muito, às vezes é estatua.
Gosta de estar ali, ser vista, mesmo
quieta, sai pela rua de forma indiscreta.

É poesia, hora é uma panela de pressão
Sai pela rua como um furacão
De andar rápido e sagaz
Não sabe muito bem o que faz
Respeita vontades de si.
Depois se perde quando ri.

Inconsequente, às vezes muito gulosa
Se esconde do mundo pra
tomar nova  postura
O mundo instiga essa sua gordura
É dura, mas nunca fria.
Arredia.
Troca sempre noite pelo dia.

Gosta de espaço pra se diluir
Não gosta que mandem nela
Ou que a venham proibir
Ofende a si mesma
Quando injeta trans
Transfere energia mesmo quando
está sã.

É desatinada , arromba lugares
Embriaga desejos desses
bêbados alheios
Morre e mata pra ter devaneios

Pessimismo, otimismo picado
Em primeiro lugar hedonismo
acelerado

Fogosa, as vezes poesia, prosa.
Tem muita saliência, gordurosa.

NORMAL !

Não existe anormalidade
Ao menos pra mim não
Eu sou normal
Você é normal
Nós somos normais
Há coisas em comum entre nós
e os animais

Há coisa comum entre eu
E você
Há alguma coisa entre você
e eu, que é semelhante
Quase igual
É tudo tão normal

Me vejo em você às vezes
Ás vezes, sinto que você me
Vê mim
Sinto como se existir
Fosse simples assim
Se talvez eu não existisse
Talvez seria algo diferente
Algo fora do comum
Algo inerte, independente

Eu existo, clichê
Você existe, como um papel de carta,
Papel branco, papel machê
Saberia ser eu se não existisse?
Até as coisas que são só sentidas
Existem e há sensações
Lembranças, algo natural

Conversas já conversadas
Roupas bem feitas e já remendadas
Transei com um cara na escada
Você também algum dia já transou
Um dia o pai apareceu
Na hora errada.
Tomei porre, mas tinha que estar de cara lavada.

Normal, tudo normal,
eu não surpreendo com coisas normais.
Não me surpreendo com nada, tudo
É normal, até o sobrenatural.