sábado, 20 de novembro de 2010

Fechada pra balanço.

Todos os dias eu saio inculóme dos absurdos da vida, e apenas por estar viva ainda, me considero abençoada. Eu tenho andado atenta demais ao que me cerca. Muita coisa não me importo mais e comecei a dar importância a outras coisas que antes eram alheias ao meu conceito.


Não vejo mais tanta graça no que posso vir a representar, hoje em dia a luta íntrinseca é tão árdua, que me torno egoísta porque a única coisa que quero mesmo é ser feliz, e confesso que não sei. Sendo feliz, acredito que não tem como ser tão ego, repartirei tudo que construi ao me desconstruir. É necessário reformas e se fechar pra balanço. Viver a vida infelizmente não é ir a festas e ter que presenciar aquela disputa de egos; no outro dia é aquele peso de cabeça combinado com estomâgo, aparência suja e fraca. A vida pode ser tantas coisas quanto o ser humano. Sou esponja e absorvo restos e banquetes tudo em demasia, é confusão, é aflição e agonia. Eu queria me lembrar da última vez que realmente me senti tranquila e confesso que não me lembro.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

É com pesar no espaço que digo que cansei do que represento pra mim e pro externo.




Eu sei de todos meus fracassos, sou adulta, mas sou teimosa.



Há sempre uma multa, uma culpa, um sentimento obsceno.

...

Um aceno de mágoas intrínsecas e incomôdas.



Há sempre um objeto, um abstrato, inexato de tato não identificado.



Eu sinto, porque sou, eu sinto porque faço e não sei de maneira alguma ser outra coisa.



Eu tento, mas essa essência autêntica... Não consigo ver mais do que isso.



Sou esse drama, essa comédia, essa piada.



Enfadada a equívocos, medos, incertezas e contradições. Ou não ?



Não tenho orgulho de pratos limpos na mesa, estão a dias pra lavar.



Sou eu mesma, suja, obscura, humana.



Mas por estar viva e rodeada, me recrimino, abomino, tudo que eu queria que fosse exato, todos meus fracassos e tentações.



Sou vulcões.



A lava é fogo e as vezes fogo de palha, é navalha, é cortante.



Sou eu, errante.

As vezes nem eu mesma me suporto, e aí me transporto...

O novo, o fantástico, o irreal...

É quando me vejo delinquente no meu solitário carnaval.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Não se preocupem comigo não sorrio de quedas, são minhas companheiras.
E veio ele novamente, como sempre com muito alarde e vistosa pompa.


Quanto tempo eu perdi em não rir escondida.

Os miseráveis.

Não é a toa que me indigno com os miseráveis.

E que fique bem claro meu eterno espírito inconformista, não sou dada a sorrisos gratuitos e a me redobrar diante dessa festinha de xinfrins. Renuncio quantas vezes for possível, mesmo que me ridicularizem com facécias, me rejeitem ou me ponham nariz de palhaço. Minha rebeldia é nata, se ganho ou me ganho, se perco ou me perco, não faz mal, nunca me espantei com quedas ou me enalteci com glórias.

A minha luta é bem maior do que essa luta prensada e pouco autêntica.



Você.

Você que agora se comporta do mesmo jeito de outrora, me faz me comportar de outro jeito bem fora de hora.


Você que eu nada sabia, hoje me reviro em saber que seu nome me agonia.

Você que deitado em sua rede já me chamou pra ir junto, hoje me vê e muda de assunto.

Você que nunca veio até mim,me olhou sem nem pedir licença.

Você que hoje tira minha paciência, me dá doses demência.

Estou certa de que você, sofista como de rotina, me sabe dobrar como uma esquina, sabe me atropelar como um desgovernado, sabe me conduzir ao pecado.

Você que eu nem conhecia, hoje é cama e noite fria.

Você que sempre me pareceu pilhéria, hoje são tristes noites de cara séria.

Você que me fez abrir e me murchou, não sabe o quanto isso me custou.

Sou rosa rotineira, sempre com fama de faceira, um tanto aventureira, mas me perdoe por favor se não entendi sua maneira.

É caroço, moço.

Não sou programa de tv, não tenho redação, nem direção, não passo nas mesmas horas, intretenho quando posso e me ligo e desligo quando quero.


Não estou na mídia, não tenho ibope, nem audiência.

Então por clemência, esqueça, não me decifras quando me assiste.

Não se trata de casca, é caroço.

Meu deleite.

Rompante doidivano do fascínio , no instante sólido, lúdico e ansioso.


Do momento do gosto, do vivido querido, do querer implicante.

O proibido.

O obsceno santo, o puro, o natural.

Não, não é erro, nem acerto.

Apenas meu deleite, meu regalo.

Meu fantástico fado.

Outubro.

Não tive outubro tão luzente de magia quanto o que você me tornou presente.


Até mudei de clima e o clima se mudou pra mim.

Não acredito que aquele espetáculo era coletivo, pra mim era subjetivamente meu, de tal forma que encho minha boca pra falar.

Abriu-se as cortinas pras nós mesmos, não tivemos público alardioso, foi sete chaves do íntimo deleite.

Saí incólume de pesos da mente traiçoeira e repetitiva.

Sei que nada é tão transgressor quando se desenrola e nem promissor quanto se mostra.

Não tive o presente em minhas mãos, agora que mês se segue, que se passam os dias, é que mais tenho certeza de que sólido mesmo é o passado; O presente é muito eufórico para percebe-lo e sentirmos ele.

O passado é o presente maduro.

Freguês.

Diante das retinas lúcidas eu vi. O tombo ! Eu quis.


Ganhei : rompante ante arrombo do ventre, delírio eloquente, um combinado com o peito incoerente.

Febre terçã! Se tivesse em sã consciência não teria sido tão quente.

Ela sempre é a primeira. A mais ligeira, a rasteira, a traiçoeira, a serpente. Novamente ? Quão dement...e !

Atrevida ! Se mete com gente, acha que tem porte, prepotente. Ilude e mente !Vem me agarrar, sacana !

Em forma de Ana, em forma de Ataíde, Lilith, Maria, João, Lindomar, em forma de imensidão, mar.

Me vente, mundão, pois arde e não tenho mertiolate, nem algodão.

Tempestade como um arrastão, nos pega deitados no colchão, sonhando um dia sim, um dia não.

Vem João, cão, lúcifer, do porão , do chão, do vão !

Vem José, com músicas dançantes de Quelé, com muito samba no pé, na fé, no chute!

Vem santa, profana, insana, doida, Ana, Joana, Sebastiana !

E veio ! Não quis?

Nesse ponto é fato, sou eterno aprendiz, diante o exposto, não sei definir. Sou lousa ou giz ?

A pomba girou, o corpo pifou, a pinga acabou, chorei, chorou, ecoou, secou, cresci e não apareci, em mim inflava, estorou, sumi.

Eis que volta e não a conheço mais uma vez, me chamam por freguês.