sábado, 20 de novembro de 2010

Fechada pra balanço.

Todos os dias eu saio inculóme dos absurdos da vida, e apenas por estar viva ainda, me considero abençoada. Eu tenho andado atenta demais ao que me cerca. Muita coisa não me importo mais e comecei a dar importância a outras coisas que antes eram alheias ao meu conceito.


Não vejo mais tanta graça no que posso vir a representar, hoje em dia a luta íntrinseca é tão árdua, que me torno egoísta porque a única coisa que quero mesmo é ser feliz, e confesso que não sei. Sendo feliz, acredito que não tem como ser tão ego, repartirei tudo que construi ao me desconstruir. É necessário reformas e se fechar pra balanço. Viver a vida infelizmente não é ir a festas e ter que presenciar aquela disputa de egos; no outro dia é aquele peso de cabeça combinado com estomâgo, aparência suja e fraca. A vida pode ser tantas coisas quanto o ser humano. Sou esponja e absorvo restos e banquetes tudo em demasia, é confusão, é aflição e agonia. Eu queria me lembrar da última vez que realmente me senti tranquila e confesso que não me lembro.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

É com pesar no espaço que digo que cansei do que represento pra mim e pro externo.




Eu sei de todos meus fracassos, sou adulta, mas sou teimosa.



Há sempre uma multa, uma culpa, um sentimento obsceno.

...

Um aceno de mágoas intrínsecas e incomôdas.



Há sempre um objeto, um abstrato, inexato de tato não identificado.



Eu sinto, porque sou, eu sinto porque faço e não sei de maneira alguma ser outra coisa.



Eu tento, mas essa essência autêntica... Não consigo ver mais do que isso.



Sou esse drama, essa comédia, essa piada.



Enfadada a equívocos, medos, incertezas e contradições. Ou não ?



Não tenho orgulho de pratos limpos na mesa, estão a dias pra lavar.



Sou eu mesma, suja, obscura, humana.



Mas por estar viva e rodeada, me recrimino, abomino, tudo que eu queria que fosse exato, todos meus fracassos e tentações.



Sou vulcões.



A lava é fogo e as vezes fogo de palha, é navalha, é cortante.



Sou eu, errante.

As vezes nem eu mesma me suporto, e aí me transporto...

O novo, o fantástico, o irreal...

É quando me vejo delinquente no meu solitário carnaval.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Não se preocupem comigo não sorrio de quedas, são minhas companheiras.
E veio ele novamente, como sempre com muito alarde e vistosa pompa.


Quanto tempo eu perdi em não rir escondida.

Os miseráveis.

Não é a toa que me indigno com os miseráveis.

E que fique bem claro meu eterno espírito inconformista, não sou dada a sorrisos gratuitos e a me redobrar diante dessa festinha de xinfrins. Renuncio quantas vezes for possível, mesmo que me ridicularizem com facécias, me rejeitem ou me ponham nariz de palhaço. Minha rebeldia é nata, se ganho ou me ganho, se perco ou me perco, não faz mal, nunca me espantei com quedas ou me enalteci com glórias.

A minha luta é bem maior do que essa luta prensada e pouco autêntica.



Você.

Você que agora se comporta do mesmo jeito de outrora, me faz me comportar de outro jeito bem fora de hora.


Você que eu nada sabia, hoje me reviro em saber que seu nome me agonia.

Você que deitado em sua rede já me chamou pra ir junto, hoje me vê e muda de assunto.

Você que nunca veio até mim,me olhou sem nem pedir licença.

Você que hoje tira minha paciência, me dá doses demência.

Estou certa de que você, sofista como de rotina, me sabe dobrar como uma esquina, sabe me atropelar como um desgovernado, sabe me conduzir ao pecado.

Você que eu nem conhecia, hoje é cama e noite fria.

Você que sempre me pareceu pilhéria, hoje são tristes noites de cara séria.

Você que me fez abrir e me murchou, não sabe o quanto isso me custou.

Sou rosa rotineira, sempre com fama de faceira, um tanto aventureira, mas me perdoe por favor se não entendi sua maneira.

É caroço, moço.

Não sou programa de tv, não tenho redação, nem direção, não passo nas mesmas horas, intretenho quando posso e me ligo e desligo quando quero.


Não estou na mídia, não tenho ibope, nem audiência.

Então por clemência, esqueça, não me decifras quando me assiste.

Não se trata de casca, é caroço.

Meu deleite.

Rompante doidivano do fascínio , no instante sólido, lúdico e ansioso.


Do momento do gosto, do vivido querido, do querer implicante.

O proibido.

O obsceno santo, o puro, o natural.

Não, não é erro, nem acerto.

Apenas meu deleite, meu regalo.

Meu fantástico fado.

Outubro.

Não tive outubro tão luzente de magia quanto o que você me tornou presente.


Até mudei de clima e o clima se mudou pra mim.

Não acredito que aquele espetáculo era coletivo, pra mim era subjetivamente meu, de tal forma que encho minha boca pra falar.

Abriu-se as cortinas pras nós mesmos, não tivemos público alardioso, foi sete chaves do íntimo deleite.

Saí incólume de pesos da mente traiçoeira e repetitiva.

Sei que nada é tão transgressor quando se desenrola e nem promissor quanto se mostra.

Não tive o presente em minhas mãos, agora que mês se segue, que se passam os dias, é que mais tenho certeza de que sólido mesmo é o passado; O presente é muito eufórico para percebe-lo e sentirmos ele.

O passado é o presente maduro.

Freguês.

Diante das retinas lúcidas eu vi. O tombo ! Eu quis.


Ganhei : rompante ante arrombo do ventre, delírio eloquente, um combinado com o peito incoerente.

Febre terçã! Se tivesse em sã consciência não teria sido tão quente.

Ela sempre é a primeira. A mais ligeira, a rasteira, a traiçoeira, a serpente. Novamente ? Quão dement...e !

Atrevida ! Se mete com gente, acha que tem porte, prepotente. Ilude e mente !Vem me agarrar, sacana !

Em forma de Ana, em forma de Ataíde, Lilith, Maria, João, Lindomar, em forma de imensidão, mar.

Me vente, mundão, pois arde e não tenho mertiolate, nem algodão.

Tempestade como um arrastão, nos pega deitados no colchão, sonhando um dia sim, um dia não.

Vem João, cão, lúcifer, do porão , do chão, do vão !

Vem José, com músicas dançantes de Quelé, com muito samba no pé, na fé, no chute!

Vem santa, profana, insana, doida, Ana, Joana, Sebastiana !

E veio ! Não quis?

Nesse ponto é fato, sou eterno aprendiz, diante o exposto, não sei definir. Sou lousa ou giz ?

A pomba girou, o corpo pifou, a pinga acabou, chorei, chorou, ecoou, secou, cresci e não apareci, em mim inflava, estorou, sumi.

Eis que volta e não a conheço mais uma vez, me chamam por freguês.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Eu sei que vou deitar
E minhas dúvidas começarão
A se deleitar

Eu quero virar a cara
Pra essa intensidade
Que só me agoniza posteriormente.

Eu não quero mais padecer
Em desalentos infindos
Do que se condisera imoral
A única coisa que anseio
É entender o que quero afinal.

domingo, 26 de setembro de 2010

Pimenta.

Quem tem muita frescura nem venha me beber, é de se compreender que alguém fraco do estomâgo e do espírito tenha repulsa e pavor de pimenta.

Um viva a loucura !

Quantas pessoas se foram antes de ter opiniões críticas sobre tudo que acontece hoje e sem ter escutado todos os sons do universo ? Quantas pessoas se vão sem ter opinião crítica de tudo e sem escutar todos os sons do universo?


É por isso que basta estar vivo pra agradecer e engrandecer qualquer som que se escuta e qual...quer opinião que se tem, até mesmo as tolas e absurdas.

A sabedoria é o veneno da vida, mas há quem opte pela loucura, envelhecer enlouquecido é a melhor forma de aceitar a morte e não exigir tanto da vida.

O demasiado racíocinio e esforço mental nos deixa velhos e caducos.

Viva a loucura, a crítica nua e toda forma de música !

...

Eu amo comer alegrias e inevitavelmente digiro tristezas.


Digiro tristezas e sinto fome de alegrias.

Tristezas e alegrias...

Ah, quem dera que a digestão fosse tão prevísivel.

Lide e afago.

Duas cabeças pensantes, dois boêmios noturnos, um negro e uma mulata, palavras ditas na lata, sintonia acelerada, não queremos saber de nada. É só o compromisso com as palavras e o luar, a melodia e a boca molhada.


Meu projeto de vida, meu ninho, meu caminho, minha forma de ser e mostrar. Não demoro muito, eu vou voltar... com muito ar e muita coisa pra falar em tom dançante.

Estou feliz meu parceiro, porque acredito no infinito dos meus sonhos e cativo os seus, porque és tão plebeu de vida quanto eu.

Porém, há requinte ilustrado em personalidade, somos ricos, mesmo sendo pobres, somos vida, mesmo parecendo morte, somos sorte, não viemos por a caso. Não a fato que rompa nossa virtude, plenitude, e indignação diante do óbvio. Somos sóbrio, mesmo com cachaça. Somos fogo e fumaça. Incomoda, pra isso mesmo que viemos, assim sobrevivemos, vai ser progresso acredite, não duvide, é nossa lide : a música e o público.

Mas é afago : a música e o público.

Assim que gosto e trago, a contradição.

Descarte.

Não. Descarte que elas sejam perfeitas, ou sejam projeções de alguma deusa.


Descarte que elas sejam muito atraentes, ou use roupes provovantes.

Descarte que elas se mostrem como tal.

Só não parecem descartáveis quanto seu corpo e vida igual.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Muito pouco.

Eu já fui muito puta pra muita gente
Eu já muito gente pra muita puta
Eu já fui muito santa pra muita gente
Eu já fui muito gente pra muita santa

Diante do que pode ser muito ou pouco
Eu já fui de tudo um pouco
Mas não me digam que sou uma coisa só,
isso seria pouco, e muita renuncia.

Pré - tensões.

As pretensões eu realmente não sei pra que servem
São pré - tensões que nos levam a pré ações
Que geralmente não chegam as "ações foco"
E sim a tensões desfocadas.

Vida besta.

Ô vidinha besta, se não fosse besta não seria boa. Naturalmente gostamos de coisas bestas e superfúlas e obviamente somos um pouco/muito disso.


A efemeridade das coisas sempre foram conservadas desde mil novecentos e bolinha, porque nada é tão profundo como parece ser. A superficialidade nata do universo é a característica mais disfarçada em sorte ou fracassos.
 

domingo, 5 de setembro de 2010

Então...

A sabedoria da nossa mente cheia de informação nos aterroriza a ação. Por isso captei de certo alguém que subitamente me esclareceu , quem tem pânico é burguês, pra plebeu pânico não é freguês.

Na cachaça, na cerveja e na fumaça.

Arranho na cachaça, na cerveja e na fumaça.


Abraço a cachaça, a cerveja, a fumaça.

Me rendo a cachaça, a cerveja e a fumaça.

Me embriago na cachaça, na cerveja e na fumaça.

Beijo a cachaça, a cerveja e a fumaça.

Só não me venha você com toda essa sua graça

Me dizer me arranha, me abraça, se embriaga, me beija.

Só a cachaça, a cerveja e a fumaça ...

Vale quanto pesas ?

Vale quanto pesas ? Pesa o absurdo, o imoral, o vagabundo ?


Arritmia dos compassos, do vago, do estrago.

Do impreciso, do conciso, do detalhe no sorriso.

Fogo traiçoeiro, ou fogo aquecedor ?

Não faça isso sábio errante, não alimente minha dor.

Dom.

Eu queria ter o dom.


O dom de acertar, de me concertar, de me contornar, independente de ações extraordinárias de pessoas que não nasceram junto comigo, de sentimentos que não nasceram junto comigo, de moléstias que não nasceram comigo.

Eu queria ser toda música, a música que escapa entre notas, de forma sagaz, surpreendente e sedutora.

Nova pintura.

Eu me lembro de como se parecia miúda, apagada e melancolica.


Vivia implorando por um milagre diante da sua feiura ingênua, vivia em um canto solitária rezando por convivência livre. Tinha medo do amor e de tudo o que o agregava. Grão não era migalha, era pão. Tudo parecia lúdico e fantástico, era de um mundo inerte ao que se considerava normal. Era de uma garra oportunamente unilateral e suburbana.

Cheia de príncipios alheios que engaiolava vento, era doce, mas não fraca, notou que algo a impulsionara.

Quando enxergou plenitude diante de abutres, morria e matava para ter devaneios, se jogava na lama do feio, mas achava tudo muito bonito.

Eis que tudo se revirou ao quadrado, tudo agora parecia tão precipitado e elegância já fazia parte do banquete.

Eram foguetes inveterados, cortejos de sonhadores, navios com presentes nos cais. Liberdade conhecera e aí que surgiram seus ais.

Era tanta escolha sobre o novo, do absurdo, do falante, do mudo, que fez confusão. Diante da vida colorida, não sabia dosar com preto e branco, era medo do que poderia pintar no salão.

Hoje anda descalça de experiências, por saber muito bem como agir e o que falar; mas se calça quando pinta desejos como se quisesse de novo se reinventar.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Truque.

Qual seu truque, sua armadura, seu ponto frágil?


Qual sua válvula de escape, sua última cartada, ?

Qual tua habilidade, fragilidade, o que pra ti é um insulto?

És tudo que vejo, tudo que sinto, é água ou absinto?

É navalha cega ou afiada ?

Quão fundo, buraco? Me castra, canastra. Retruco, é truco, fico na retranca, é tranca.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Mais um andar.

Eu não sei bem aonde vou chegar com toda essa minha crença em algo maior do que vivo neste momento, em toda bondade que as vezes parece desperdiçada, em todos meus porres intrínsecos da alma, em toda vontade perdida, em todo sorriso sincero e cara feia igual. Em toda preponderância que cada momento torpe me exige, em toda certeza confusa em incertezas, e em todo amor que tenho a arte. Não sei, me construi assim, não penso em me desmoronar, penso em construir mais um andar

Mais um andar.

Eu não sei bem aonde vou chegar com toda essa minha crença em algo maior do que vivo neste momento, em toda bondade que as vezes parece desperdiçada, em todos meus porres intrínsecos da alma, em toda vontade perdida, em todo sorriso sincero e cara feia igual. Em toda preponderância que cada momento torpe me exige, em toda certeza confusa em incertezas, e em todo amor que tenho a arte. Não sei, me construi assim, não penso em me desmoronar, penso em construir mais um andar

Não me importo.

Não adianta, eu não me importo ! Acho tudo muito normal e natural do que se origine do ser humano. Não me venham vocês cabeças humanas me falarem em moralismo e ética, eu conheço muito bem vocês por ser da mesma 'laia'.


Não me recordo quando foi que um ser humano não se apontou o dedo, eu só me lembro quando o ser huma...no apontou o dedo pra outro semelhante.

Não me privo, sou isso mesmo, me deixem passar,deixem ser o que sou, não sou uma coisa apenas, tenho uma criação que não é a minha, tenho origens diversas, tenho contatos extraterrestres, sou mutável. Sou calada, absurda, sou quieta, sisuda, sou rosa, sou espinho. Não sou o que pensam que sou, somente isso não.

Não tenho culpa dos teus dissabores, mal amores, complexos; só não me usem de escudo pra suas fraquezas e seu reflexo.

Enlatados.

Eu não fico pasma com a quantidade de gente contra a Globo, contra a plastificação, o Mc Donald´s, a Veja, os burgueses aristocratas, o preconceito, o facismo, a não liberação da maconha, valores enlatados, padrões de beleza... Eu fico abismada é com a falta de responsabilidade em ser contra tudo isso. Porque se você é contra tudo isso, porque faz tudo como dita isso ? Aliena, exclui, aponta o dedo, preconceituosos de merda, medrosos, pouca coragem, sempre com medo do que a sociedade de abutres pensa de você. Músicos, literatas, filhihos de papai, caçadores de aventuras, sonhadores ambulantes, pseudos alguma coisa, menininha exibida, invejosos de merda, mal amados, mal comidos, todos os signos do zodíaco, punks, emos, bebam-se, assumam-se, e vivam sem se preocupar com a vida dos outros !! Com certeza tem um monte de assunto pendente na vida de vocês !

sábado, 14 de agosto de 2010

Calada, espero, nem sempre sentada, frequentemente ansiosa, um pouco despreparada.


Rodeada de rumores, desfrutando de venenosos e instigantes sabores.

Talvez não me veja, apenas me sinto, me bebo, não minto.

Anseios junto aos meus seios de índia, onde mora um coração afobado, quente e apressado que não quer deixar de bater.
É certo que um dia eu encontre o que sempre procuro, essa busca incessante que não me deixa morrer ? Ou findo essa busca implicante, apenas por considerar o instante, viver ?!

A rara.

A música é a rara.


Me abraça sem me pedir nada, que me beija sem me babar e diz tudo que quero escutar.

A música se traduz pra mim em forma de mulher bonita.

Sereias, deusas, pomba giras, macumbeiras de vestidos de lã, ninfetas, lolitas, amantes, anitas... Todas são músicas, e se seduzir, também é dança.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Não se esqueça de lembrar.

Não se esqueça que você é meu amor e eu sou o seu.


Não se esqueça que morro de saudades dos beijos teus.

Não se esqueça que só parece que nada aconteceu.

Não se esqueça de se esquecer que a vida não morreu.

Não se esqueça de lembrar.

Hoje não.

Bom, hoje, não.


Não foi um dia totalmente tédio.

Tive meus momentos de embriagar fatos e sonhos, tive fantasias eróticas, tive todos em minha mente.

Falei bastante como sempre falo quando estou a vontade.

Tive vontade de seduzir e matar desejos.

Tive vontade de dormir com todos ao mesmo tempo, não pensem, não pensem, façam !

Sou livre, quero que sejam também, me joguem em seus fracassos e me suguem logo após, quero sentir vocês.

Me coloquem nua e não me expliquem, depois me vistam e me digam, porque tanta moral ?

Não falem, quando não, cantem !

Quero ouvir todos e dar palpites, ou as vezes calar-me.

Quero abraçar todos sem saber porque.

Quero sentir cabelos de cabeças pensantes.

Quero sentir gozo do simples.

Me apaixonar pelo complexo.

Eu quero tanto, tanto não tenho, do pouco o mantenho.

Mais eu quero, por ser egoísta e muito hedonista.

Quero, e me queira, quero ser freira, quero ser amante.

Me descubra, te redobro, adoro.

Sou fetiche, mesmo quando estás sóbrio.

Pecado da vontade, não é meu, é do pecado.

Não me culpo, vivo.

Ah se soubessem...

Não sei de onde tiram que sou muralha.


Ah se soubessem... sou poço fundo.

E se soubessem, que quando bebo, não esqueço.

Que quando bebo, lembro, tenho vontade

De sair do chão e voar pro contraditório

...Do que fui predestinada desde pequena.

Ah se soubessem, que nem eu mesma sei quem sou.

Ah se soubessem que não sabem de nada sobre mim.

sábado, 31 de julho de 2010

seu humor preto e branco.

Ele estava amarrotado
Em suas convicções
E no seu humor lúdico
Queria chamar a minha atenção
Mas não sabia como fazia

Me pediu cigarros com abuso
De sua arrogância charmosa
E me presenteou em sorrir
Do meu estado natural
Normal.

Sabe quando a gente se convida ?
Foi isso que fiz sem pretensão
De ser posteriormente convidada.
Não quis o convite, mas eu o queria sim.


Cheio de conversas
Enroladas como se quisesse me
contornar
Mas não deu, ele mesmo se perdeu
Eu fui junto.

Na testa é respeito, e
Foi isso que se deu
Foi tempos que nunca vivi
Em algumas horas
Foram risos de uma vida inteira
Foram trocas singulares
Foi preto no branco.

Gusizchá.

Ele não existe solidificado.
Nunca o apanhei pra ele ficar
Aqui junto dos meus ruídos
Nunca o enxerguei de perto
Sempre ali diante de palavras
dispersas que propomos com cautela

Foi assim, era como se
Tudo mesmo tivesse seu tempo
De seguir em frente, algo bem pensado
Ou não.
Não sei como se deu o interesse
súbito, foi como um achado.

Eis o novo
E virou café, daqueles bem fortes
E um pouco dosado com áçucar
e amargo
E queríamos amanhecer
Naquele breu infindo
De não poder se olhar nos olhos.

Essa vida palhaça como nós
Nos confunde.
É de se embriagar de risos e desejos
O que inevitalmente acontece
sem pedir licença.

domingo, 4 de julho de 2010

Bela camisa.

Envolveu-me com uma bela camisa.


Aquelas em que se tem vontade de escorregar as mãos.

Não como uma desculpa de querer chegar perto, mas por ser bonita de verdade.

Mas confesso, era uma desculpa.

Eu quis mesmo passar a mão em teu peito, e desabotoar mágoas passadas.

E nem quis fazer isso por obrigação, simplismente por vontade própria.

Fiquei atônita com nossa intimidade picotada por resquícios passados.

Mas temos medo, não é ?

Não sei bem porque, mas sinto que é bom demais pra se tornar verdade.

Desinteresse.

Estou acomodada com a ausência do interesse morando comigo.


Dias que poderiam ser prósperos de tempo gasto.

O gasto é por pouco.

O desinteresse mora aqui como se fosse de casa, e já abre minha geladeira,

rouba meus instintos e virtudes.

Mas pelo que se interessar ?
Talvez o desinteresse não deixa eu estar atenta ao que se tem pra filtrar.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Deixo de lado.

Pensando mais em mim, deixo você de lado.


Algo bom de se ver como um retrato, em

que apenas sobra-se a nostalgia do consumado.

Fiz forte meu coração ao partir, dizendo não pra você

e sim para mim.

Vai ser melhor assim.

Velhos e novos tempos.

E foi como nos velhos tempos.


Você me veio acolhedor, como se não quisesse nada;

Só minha companhia, crua.

Dei um pouco de trabalho, confesso, não sou uma pessoa

que passa sem perturbar.

Mas eu vi na sua cara o quanto gostava disso tudo.

Não houve nada a mais, apenas risos sinceros de pessoas

que se gostam e não precisam estar o tempo todo se falando pra

dizer que existe algo entre elas.

Obrigada por lembrar que um dia nos encontramos na vida e fizemos coisas

juntos, e essas coisas, pelo visto, ainda moram na gente

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Off.

Foi tamanha erupção
Em tempos que foram
E fazem ciclos

Erupção de corromper
Romper o que havia sido elo
Erupção por opção
Por vaidade, por prazer de
Provocar

Sempre se tornava ao mesmo lugar
Era como se cada dia fosse uma conquista inútil
Um recomeço viciado
Mas gostavam de tudo aquilo
Esparramado e torto

Tinha uma pessoa que era por demais
Possessiva e redundante
Gostava de demonstrar seu veneno
Abundante.
Não ligava para o que poderia
Vir a perecer

Era vício do vídeo que fizeram para
assistirem
Era o mesmo "replay" de obsseção
E ambos alimentavam isso

Houve um dia que foi dado
Pause no aparelho de origem
Enquanto o outro apertava "play "
Mas ele já estava sem controle
Ela o tomara para si, e parecia
Nunca ter feito parte de tudo aquilo
Apenas apertou "off", sem nem se lembrar
Que tudo aquilo um dia foi " on"

Há quem diga que num fogo
de etílico e naquelas vezes em que tudo
se rebobina, vem aquela pessoa cheia de
Carinho
Há quem diga que ele continua forte
Sozinho
E o que dizem é que sobrou um pouco
Talvez apenas um restinho.

Inércia.

Eu provoquei toda uma inércia.
Ando sempre curiosa e observadora.
As vezes gosto do que vou atrás.
Dei um passo a frente e ele o seguiu
Olhou para mim e não sorriu não

Veio todo preponderante como
Se quisesse me fazer ter armaduras
Conseguiu
Mostrei um mundo tão diferente
Que ele se abriu e até teve que se cobrir.

Mas depois só com os pés descobertos
Veio de fininho me mostrar a sua cor
E eram tantas
Não cabia no meu céu cinza
Mas ele insistia que tudo que eu
Procurei eu acabava de encontrar
E aos poucos eu fui pintando meu céu
Mas porque era impossível não se
Consumir de cor com aquela presença

Hoje em dia fazemos trocas
E ele usa essas cores em desenhos
Eu o inspiro, ele me diz
E cria tanto
Tanto que a criação nem existe
Mas ele cada dia me convece
Que sim.

Cego.

Eu juro que não quero ser aquela pessoa
Afogada em sentimento cego
Quero que o sentimento
Se traduza, mesmo com dificuldade

Mas são tantos...
As vezes não sei defini-los
Se vestem de máscaras mesmo sendo meus
A minha mente as vezes os domina
E as vezes o toma todo pra ela
É sobrecarga

É um rock maluco
O que se passa por minhas veias
Coração e cérebro
Pulsa toda minha alma
Escorre nas responsabilidades,
Pausas,
Amores e desejos.

Divagando, vagando devagar.

O problema são as divagações morosas.
Divagar sobre a vida torna a vida
Devagar.
Os sentidos se acustumar e querem
Tudo questionar
E nunca acham respostas
Mas querem sempre achá-las
As divagações são infindas
E o que as fazem existirem também.
Estava pisando num território
Desconhecido, mas que havia
Pisado antes num leve deja vu

E quanto fui adentrando
Logo percebi
Que aquele prazer eu já sentira antes
Era prazer do conhecido mesclado
Com novidade

Era um doce meio amargo
Instigante
E quando nos davámos as mãos
Era como se aquilo se repetira
Por um tempo que sempre
existiu em nossas vidas

Era tudo inédito, mas
ao mesmo tempo tudo confortavelmente
confortável.
Não me coube receio e nem medos
Me causava mais sede de descoberta
Do velho que para mim era novo.

Poeminha barato.

E diante daquele vazio de argumentos, escrevi-lhe um poeminha barato. Eu não sabia responder a tudo aquilo que não fazia parte de mim, eu só sabia responder o quanto aquilo não fazia parte de mim.


Fugia de minhas vontades, fugia da minha vida e de todo romance que proponho a ela.

Eu sei que fui fraca e pouca malícia eu tive.

Mas nem pra ser malandra para o que não é do meu conceito eu sei ser. Só domino as coisas que sinto, o que não sinto, é como se nunca existisse.

Nua.

domingo, 13 de junho de 2010

Eu o vi mesmo não o vendo.

Foi bom. Pela primeira vez vi tuas costas, eram dignas de minhas mãos escorregarem. Estávamos envolvidos por um clima gostoso da parte gostosa da intimidade.
Enquanto minhas mãos tocavam tuas costas impostas sobre a cama, tu sorria calmamente, como se fosse gozo de momento único.
Me surpreendeu quando de repente me pegou sagazmente pela cintura, mãos grandes que me roubavam o corpo e a atenção, a qualquer coisa que vinhesse  aparecer.
Tivemos que nos interromper, não podíamos mais padecer naquele conforto, mas como nosso interesse era prosseguir fomos para meu quarto, o chamei pra deitar em minha cama miúda, assim como eu.
Já vestido de cor, o deitei em meu colo, lhe fazia caricias infantis, e o implorava para falar baixo, entre risos e sutis devaneios, como quando ele vinha para apalpar meus seios.
Eram vontades prensadas por uma razão que insistia. Por nós estaríamos sendo consumidos aos berros mais ardentes e sussuros dos mais quentes.
Era quarto meu, mas não era casa minha.
Eu então fazia o que podia, que era dividir, dividir olhares, dividir sorrisos mútuos, encostava meu nariz com o dele e apertava seus lábios com as mãos até ficarem corados.
Sonho perdurou por mais tempo, mas o que posso definir de "sonho" é apenas o que está escrito aqui.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Carapuça.

Não me interessa vestir carapuças que não me cabem, uma hora ou outra se desfazem.
Não me interessa te agradar pra eu caber em ti, uma hora ou outra escorre pelos dedos.
Não adianta.


É isso que tenho, se quiser aceite. Pode vir a titubiar,mas concordará comigo, nunca disse que não ia ser assim.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Colo(rir)

-Não é vestido branco não, seu moço! É o preto que quero,estou de luto.

- Mas se tu usares vestido preto é capaz que absorva toda essa energia camuflada em pólvora !

-Mas dizem os costumes que preto é luto, por isso, é chapéu, sapatos, óculos, tudo preto absoluto!

- Se estás de luto preferes ficar assim? Porque não veste branco, que foge do costume ?

- Tenho medo do luto dos outros, eles podem me julgar.

- Não tenha medo do luto de quem não sabe se pintar.

- Me dê o vestido branco ! Vou comprar umas tintas e vou colorir. O que acha de grená ?

- Desde que tenha oportunidade de pintar, pinte ! Deixe o luto dos outros pra lá !

Seria lindo de doer.


Estou louca para que o contraditório se encontre com o coerente.


Seria um encontro um pouco excentrico, diferente, mas digo e tenho dito, seria bom pra muita gente!

Ditou-me contra o ditado que diz : Faça o bem sem olhar a quem e seja feliz.

Deus ajuda quem cedo madruga, viu, pobre infeliz ?



Cedo madruguei, bebi, entornei, vi o sol nascer como se nada queria, mas queria me dizer: - Já é cedo, bom dia !

-Deus me ajude um bucadinho, estou bêbada logo cedinho !

-Vê se me manda aquele emprego que orei e pedi com carinho !



Seria lindo de doer, se ao invés de acordar cedo pra trabalhar, pudessemos beber, e se ao fizesse o bem sem olhar a quem, esse alguém dissesse amém, ao invés de rogar praga a você porque um outro lhe deu mais um vintém, que você só não deu porque não tem.

domingo, 16 de maio de 2010

Coração besta.

Dorme meu bem, descansa
Me imagine em seu peito mansa.
Escutando teu coração bater
E me cutucar
Como ponta de lança

Sinta-se comigo
Naquelas manhãs
Em que acordamos mudos
Em que mais falam
Os corpos desnudos

Tenho saudade da calma
Da sua alma em contato
Com a minha
Tenho saudade de toda aquela
Euforia
Tenho saudade das besteiras
Que eu sorria

Eu te gosto meu amor
Me veja para teu bem
Pois o seu bem meu coração
o tem
Peço que diga o mesmo
Para teu coração desconfiado
Bicho do mato, safado,
Coração besta, acanhado.
Tinha saído um pouco de
Mim
Estive bem cansada
Agora sinto como se deitasse
Numa confortável rede de algodão

Estava fora dos eixos
Do contexto
Do meu compasso
Estava prestes
A me negar
Diante da vida

Suava frio como se algo
Muito inesperado
Pudesse acontecer
Não sei bem o que
Mas estava aflita
Com um fantasma
De mim

É terrível não saber do
Que se defender
Quando ninguém está lhe apontando
Armas
Em quem você atira ?

Minha mente traiçoeira
Me castiga por a ter colocado
Fora de órbita
Ontem mesmo
Quando falei mais que o normal
Quando perdi a linha
Quando transbordava cheiro forte

Agora sinto sono
E irei respeitar
Quem realmente
Nunca mente
A mente.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Desde que eu o conheci.

Foi tão cócegas quando o conheci.
Senti meu ventre dizer, " quero rir"
Senti meu coração dizer, "quero pular"
Senti minhas mãos dizer , "quero suar"
Senti minha boca dizer, " quero o beijar".

Foi assim, desde quando o conheci.
É assim, desde que conheci.
Até hoje meu corpo
Entra em transe, quando ele me diz
Cheguei, estou aqui.
E meu coração ri, ri, ri, ri.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Me prostituindo pra minha vida.

Agora deitada em abismos que construi
Me sinto aliviada
Não me pergunto porque o fiz
Sei que me sinto molhada
Foi o que sempre quis
Gozar e ser gozada.

Não sei explicar o porquê
de ser tão despreparada
A uma vida tão cheia de regras
Que me induz a ser tão errada

Eu sei que gosto do gozo
Da vida que eu crio pra mim
Não sei descrever o quanto é bom
Só sei que não é ruim
Ser eu como quero ser
Rompendo impostos de impostos
Olhares

A minha vida é uma só,
abuso do poder que possuo
À minha vida me prostituo
E nem cobro dela
Quem me cobra são vidas alheias
Que vivem vidas amarelas.

Homem velho.

Me suga gostoso os que tem muita história
Pra contar
Os que sabem uma mulher levar
Os que não se admiram com qualquer coisa

Aqueles que sabem tragar com audácia
Que sufoca com tanta vida vivida
E mostra como devo ser consumida
Apeteço-me de rugas sinceras
De que em outro tempo tivera
Espaço pra juventude

Agora , juventude
expressa com muito mais
plenitude
Os que sabem acrescentar
do que se viveu
e de alguma maneira se alude.


Me decide, homem velho
Até onde eu deixar
Depois decido o resto
Sou nova,mas também
tenho coisas pra contar

Me instiga esse seu jeito
Como fala, é bala
Sussurro
Minhas unhas viram navalhas
Eu gosto do oposto
Que nos une
Me brinca no corpo
Como um canalha.

Rosália.

Diante de um amor-agarradinho, prefiro ser rosa e ter espinho, a ser uma trepadeira atraente.

Frio e quente.

O meu desejo íntimo da alma é o que mais quer sair de mim, e é o mais criticado.


Assim solidifico peito meu, que fica dividido entre um coração que pulsa inquieto e é quente e a parede de concreto que se forma, apática e fria.
Ando perdidamente, por linhas tortas, as vezes quero muito algo que não existe, ou quando existe e percebo isso, não quero mais.


Sempre fui honesta comigo mesma e com minhas vontades, sofro as consequências de ser tão eu. Nunca usei ninguém pra obter o que quero, eu uso mesmo a mim, que se desgasta a todo dia.

Me sinto uma pessoa pesada no bom e mal sentido, tenho energia forte e consigo tudo o que quero, quando vou atrás e até mesmo quando não vou. A vida as vezes me mima e eu desconfio muito disso. Não sei lidar com as coisas que consigo, não sei administrar felicidade, ou eu a estrago por medo ou eu a estrago por exagerar com ela.

Me acho fraca, mas forte por não me render a fraqueza. Insisto.

Não sei bem o que estou fazendo no mundo, sou muito consumista e como muito. Eu gosto muito de se fazer valer a minha dignidade, mas eu não a tenho.

Sempre fui meio careta, tenho mil e uma faces, mas eu não consigo enganar ninguém, porque não quero. Quem me vê de verdade, não só vê, me lê. Eu não sou só isso, basta me fitar o olhar. Tenho tristezas e mágoas que sequer conseguem sair de mim, sei muito e pouco de mim. Me pego surpresa com algumas atitudes. É uma vida de tamanha plenitude. Gosto do mal feito, daquilo que sempre tem algo pra me instigar a concertar ou me cutucar. O que não suporto é a minha mente que não para. Ela é muito dramática e pensativa. Odeio.

Sou aquela pessoa sem rodeios, que diz tudo até sem tato, as vezes muito atenta e as vezes sem um pingo de sensibilidade. Me acho e me perco muitas vezes, e quando me perco sou agoniada e ansiosa. Pareço muito segura de mim, mas sou uma merdinha que não confia em si.

Quero tudo pra já, mas não faço nada.

Quieta e muito afoita. Observadora.

Só penso pro bem das pessoas, não desejo mal e não perco tempo falando da vida dos outros, minha vida é um furucão já. Não porque é bombante e cheia de holofotes, não, porque minha mente é uma combustão. Minha mente é inquieta em o que fazer pra ser feliz e me dar bem na vida. Tenho medo da vida. É difícil viver.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Onde foi que fomos?

Está ainda debaixo do meu travesseiro
E com minha cabeça pesando sobre
Como se quisesse sufocar.
Ainda está como travesseiro do meu lado
Como se quisesse comigo estar.
Só não há mais aquele cheiro
Que a primórdio me fazia lembrar
Quão bom era o ínicio
Quando o fim não parecia se mostrar.
Não sei onde nos perdemos
Não sei bem a que nos rendemos
Palavras perdidas
E agora atitudes a se pensar.
Me parece que enquanto
Caminhavámos de mãos dadas
Não estavámos no mesmo lugar.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Falsa miragem.

Me deparei com um lugar ermo e sem cor, mas que me passava a sensação de que fora de muita festa e alegria, afinal, havia máscaras pelo chão, fantasias agora já despidas, muito resto de comida, muita sobra de balão.
Sozinha, me perguntei, o que teria acontecido àquela festa digna de rei ?
Já logo um rato de longe aparecia, roendo sobras de queijo do reino espalhado pelo chão. Eu bem notei que o rei era uma fantasia, era lugar de uma festa vazia, que alegria e cor não faziam parte daquele salão.
Sorri, por estar na festa das verdades, com assassinadas vaidades, senti prazer em ver que apesar de ermo, era a partir dali que poderia construir felicidade.

domingo, 25 de abril de 2010

Oito ou oitenta.

Quero ser oito




Ou oitenta



Quero a sorte de ser



Mais atenta



Respirar em voz lenta









Passar despercebida



Mesmo assim ser ouvida



Meus anseios de jovem



sedenta



Que quer comer e



Não ser a comida

terça-feira, 30 de março de 2010

Minha mente não mente.

Quão poderosa é a nossa mente. É sádica e cruel, outrora forte como a fé que a reveste.Nem nós mesmos sabemos do que ela vem armada, é tão nossa, mas tão surpreendente. Por ser nossa, não devemos lutar contra ela, e sim domá-la, aperfeiçoar-la. Confesso que é a luta mais árdua que tenho passado recentemente. Minha mente não anda me respeitando, e perdi a autoridade sobre meu corpo, ela tem o conquistado também.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Quero desprender
O que sinto, mas estou sem inspiração.
Me perdoe pela dor que sinto,
Coração.

Bolha.

Queria me recompor
Fechando os olhos
Respiração que repouse
Em outro canto, que não seja aqui.
De repente parti sozinha,
assim como queria.

Devo ter passado por tantos lugares.
Ter sido atenção de vários olhares
Saboreado desejo alheios, e
Instigar que saboreassem os meus
Corri de coisas feias,
Me abracei as belezas
Sofri indelicadezas de uma gente febril
Redobrei o meu cuidado pra em certos momentos
Agir gentil.

E delirando, andando, cantando
As vezes chorei, parei em frente ao
espelho, meus olhos vermehos
Nariz inchado de choro
De vela apagada , de fósforo
queimado, olhos borrados...

Suprema idéia de vida
Descansar e organizar
Por tudo no lugar
Maravilha.
Não sei bem como foi
Por onde foi que me perdi
Não me recordo, só sei que acordo
É vazio demais, uma bolha de ar espaçosa
Coração em um canto ficou
De tanto que a bolha inchou
Não sei que dor no peito , que defeito,
que saudade, qual é a necessidade.
Só sei que assim  cá estou.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Cultivo de sinceridade.

Sinceridade marginalizada, sente-se a minha mesa.
Vamos conversar.
Faça parte do meu banquete, deixe eu te servir mousse de maracujá.
Eu sei que és afoita, por isso essa fruta há de te acalmar.
Sinceridade que queres me dizer?
Quero apenas ser dita, sem lhe fazer sofrer.
Sinceridade você fere,
Mas me dá prazer do alívio
Em minha boca a cultivo
Pra mim não és estranha
Faz parte do meu convívio.

terça-feira, 16 de março de 2010

Saudade madura.

Saudei a saudade
Ela me saudou também
Convidei-a pra entrar
Não houve discussões, nem desdém

Era pequena, era amarela
Dei cuidado a ela
A perfumei e a vesti
Virou prosa, virou rosa
Deu gosto de assistir

Suave saudade, brisa leve
Fogo de palha
Virou navalha, agora mulher
Poderosa e forte, brinca com a sorte
Me tem quando quer

Saudade virou doença
Sauda sempre agora meu coração
Não gosto mais da saudade, outrora
saudável, hoje combustão.

Não é mais minha
Ela que tem a mim
Me suborna, saudade
Menina que não é mais
Me rouba dormindo, é
rápida e sagaz.

Presente.

Antecede o ínicio
Um vazio branco
E um muro preto que acena
E me deparo comigo mesma

Sou eu, o que devo mostrar?
Me despir de mim
Me ver nua e crua
Assim, vou começar
Não sei bem por onde

Senti que tinha que vir aqui
Senti que eu estava prestes
a desabar
Um presente ébrio e cheio
de delírios mórbidos
Mesmo assim,
Não conheço mansidão, sou fera.

Calada, encostada, inerte.
Sou flerte da solidão sociável
Me paquera, me conquista
nessa imensidão de dúvidas
Machuca, me chupa,
sou bagaço dessa opressão.

Mas num simples compasso
Me vejo, que num simples gesto,
Esbravejo, e cresço, posso vir a descer
Mas minha alma diz que nunca padeço
Nos anseios de outro ser.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Estranha.

Ando vagarosamente.
Me estranho, me pergunto.
Eu não sou de andar assim.
O que há em mim?
Quieta.
Sóbria.
Paciente.

Espero por um bem maior
Não sei por que bem esperar
Só sei que é grande
Me faz veia pulsar

Sentada, parada,
Com mil coisas a ansiar
Sei lá
Ando calma, como se nada quisesse
Buscar
Mas busco sim alguma coisa
Não sei demonstrar

A música lenta
Coração atento
Frio que me dá
Eu quero algo
Que só de pensar
Arrepio que dá

Não sei o que me deixa quieta
Com tanta alma pra cantar
Eu quero a vida
Eu quero a morte
Do que não suporto
Em mim estar.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Meu caso é esse acaso.

Meu nome hoje é tédio.
Acordei botando tudo pra fora, de forma nojenta, e tentei me socializar
Naquele lugar infernal
Eu estava sendo falsa.
Ando com preguiça social.
 Preguiça até de mim mesma.
Sempre clichê, sempre rotineira, previsiva.
Me recuso a sentir frio mecânico.
Me recuso adoecer, me entristecer
Começar tudo de novo
Mas não consigo me recusar.
Meu nome é impulso desde que nasci.

Não consigo me inquietar
Meu caso não é decisivo
É super momentâneo, uma peneira
de cerdas finas e exigente

Confesso que vezes ou outra
me perco em outras peneiras
São tantas da vida
São tantas em mim
Eu peço isso
Eu ganho

Não dou valor ao que
consigo
Sou uma eterna insatisfeita
Uma eterna exigente do mundo
Uma eterna cobradora de mim
Mas não recebo muita coisa, sempre
muito indisciplinada, torta

Rimo a vida comigo
E eu sou isso
Essa coisa
pequena
Essa coisa grande
De muitas veias, de um coração inchado
De um coração prestes a pedir arrego.

Palavras pra uma amiga bonita.

Você é bonita, amiga.


Respeita suas vontades,

Como quem quer mesmo

de verdade viver.



Sem hiprocresia ou timidez

de se fazer acontecer.

Enche-se a cada dia de

novidade, por medo de um dia

não mais as ter.

Se der certo ou errado,

não importa, a vida nos faz aprender.

Aprender que o tempo

é razão de quem sabe crescer.



Acredito no risco.

Você é corajosa e sabe arriscar.

Quem é bonita só de aparência

Tem medo da vida gozar.



Por isso te acho assim, bonita.

Os medos enfrenta

Goza do gozo que queres.

Te respeita e não te deixa ninguém usurpar.

Amor de intensidade picotada.

Meu amor, vamos rir um pouquinho?


Saudade da nossa festa.

Meu vestido todo perfumado de cachaça,cigarrilhas, e de muito afeto.

Esses encontros, esses desencontros, essas coisas de sintonia, de harmonia, num mundo tão desconexo, sem nexo, de muito sexo e pouco amor...

Sei lá te encontrar, que frio que dá, na minha barriga.

Você, pessoa que é, pessoa que é humana, ser da minha vida, que alegria!

Muito sorrisos ao saber disso.

Você e eu, muitas gargalhadas.

Caminhos que se cruzam, e fazem tranças, esperanças, bonanças, isso é vida.

Me sinto viva!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Simples assim: Foi.

- Vai pelo pescoço, bem assim, próximo a nuca, aham. Agora para. Se afasta, deixa eu te olhar, faz aquela cara. Isso, mostre-me os dentes, babe neles, sim, deixe cair. Sem pressa faça algum exercício. Não poderia ter escolhido outro melhor.

- Eu quero suor, malhe, força, mas com cuidado. Perfeito.
-Gosto do suor, posso provar?
- Uma mescla, não está tão salgado, picante.
- Não encoste em mim, só me provoque. Quero ver se é capaz.
- Me passe a língua com delicadeza bem no ouvido, susurra baixo, produza um som gostoso, um pouquinho nervoso. Ai, hum...
- Agora crava teus dentes em minhas costas, e arranhe ai atrás levemente. Aham, isso.
- Monta em cima de mim bem ferozmente,  não preciso te pedir caras e bocas, as suas estão seguindo um roteiro deliciosamente próprio.
- Me faça rir com cócegas com álcool natural. Meus dentes demonstram força. Quero usá-los também.
- Sim, bem aí.
- Estou pondo mais cor em você, e você em troca mais vida em mim.
- Deixa eu abrir a cortina, o sol ajuda nesse exercício, dá mais cor ainda, viço.
- Me empurra, agora me puxa, me empurra, agora me puxa.
 -Suave, devagarinho, subitamente, devagarinho, subitamente.
- Deixa eu dançr em você?
- Eu sei que quer, que sorriso de sim.
- Aham, valsinha ?
- Não, sambinha?
- Bossa, me perco, me embalo, me prendo.

- Elite, favela, donzela, nobreza, plebléia. Tudo gosta.
- Sei, que sim, hahaha.
- Você também, me mecaniza, me paraliza, faz, faz, não para, não para, não para.
- Parou?



- Foi.

- Sem graça, e eu?

Olfato das retinas.

Eu me perco nessa sua música
Cantada, susurrada.
Eu me perco nessas palavras loucas
Desgarradas.

Eu me perco toda onde não podia
Me perder
Não sei mais quem sou eu
Porque será que penso em
você?

Eu estou levando um soco
estratégico bem no meu pulsar
Há dias que não entendo
Porque gosto de apanhar.

Você me diz coisas que qualquer
uma quer ouvir
Sou mais qualquer uma
No seu papo a me atrair

É engraçado como a vida
É ao contrário
Me vejo agora reprimida
Em um pequeno refratário
Não posso me mostrar
Talvez não queira
Afinal, porque estou escrevendo
Tamanhas besteiras?

Sujeira a sua
Me lambuzo
Me perco
Nesse chiqueiro
Cheio de comidas
porcas
Mas eu gosto do mal cheiro
E caminhar por linhas tortas

Assim como me agrado de
Recife com sua fedentina
Me agrado do teu cheiro torpe
Parece loucura, mas eu cheiro
com minhas retinas.

Pes(soa).

Há pessoas e pessoas.
Pessoas que são pessoas.
Pessoas que são alguém.
Pessoas que insistem em ser niguém.

Pessoas que soam.
Outras que escutam.
Pessoas que sentam
Outras preferem alternar.

Umas por cima , outras por baixo.
Depois umas por baixo, outras por cima.
Outras preferem controlar.
Outras deixam passar.
Se deixam levar.

Outras vivem, outras existem.
Pessoas humanas.
Pessoas animais.
Pessoas boas, pessoas más.

Pessoa louca.
Pessoa louca, mas normal.
Pessoa que lê, outra sente.
Mas lê também

Pessoa fumante.
Pessoa passiva.
Pessoa ativa.
Pessoas que dá caldo.
Outras é o Knor.
Pessoas sem saco, sem útero,
sem braço, sem senso.
Pessoas que só passam.
Outras passarinho.

Pessoas assim, pessoas assado.
Pessoa doce.
Que não é mole não.
Pessoas que não dizem nada.
Mas que gera toda essa inspiração.

Parece que gosto.

Perigo ver o que não quero.
Mas eu quero tanto.
Eu quero do verbo querer.
Verbalizar, agir, matar.
Matar vontade, saciar,
Prazer, necessidade.

É assim sempre.
Visualizando.
Tendo consciência.
Mas errando.

Aposto no que quero.
Sei o que vou receber.
Sempre ganho mal amar.
E dores de doer.

Sabia, muito previsível.
Eu quero que ser torne
Essa confusão
Parece que gosto de vida.
Com ação.

Gordurosa.

Algo saliente, sabe?
Chega, escorrega nervosamente.
Chega e incomoda, é oleosa, muitos poros abertos.
Faz brinde e festeja, hora se fecha, e pensa muito.

Algo que é bom, mas faz mal em excesso.
É cheia de ais, nunca se contenta, mal do ser humano.
Parece bicho, mas é gente.

Algo crocante, mas indigesto.
Não se comporta bem, sempre
cutuca, retruca, machuca.

Se mexe muito, às vezes é estatua.
Gosta de estar ali, ser vista, mesmo
quieta, sai pela rua de forma indiscreta.

É poesia, hora é uma panela de pressão
Sai pela rua como um furacão
De andar rápido e sagaz
Não sabe muito bem o que faz
Respeita vontades de si.
Depois se perde quando ri.

Inconsequente, às vezes muito gulosa
Se esconde do mundo pra
tomar nova  postura
O mundo instiga essa sua gordura
É dura, mas nunca fria.
Arredia.
Troca sempre noite pelo dia.

Gosta de espaço pra se diluir
Não gosta que mandem nela
Ou que a venham proibir
Ofende a si mesma
Quando injeta trans
Transfere energia mesmo quando
está sã.

É desatinada , arromba lugares
Embriaga desejos desses
bêbados alheios
Morre e mata pra ter devaneios

Pessimismo, otimismo picado
Em primeiro lugar hedonismo
acelerado

Fogosa, as vezes poesia, prosa.
Tem muita saliência, gordurosa.

NORMAL !

Não existe anormalidade
Ao menos pra mim não
Eu sou normal
Você é normal
Nós somos normais
Há coisas em comum entre nós
e os animais

Há coisa comum entre eu
E você
Há alguma coisa entre você
e eu, que é semelhante
Quase igual
É tudo tão normal

Me vejo em você às vezes
Ás vezes, sinto que você me
Vê mim
Sinto como se existir
Fosse simples assim
Se talvez eu não existisse
Talvez seria algo diferente
Algo fora do comum
Algo inerte, independente

Eu existo, clichê
Você existe, como um papel de carta,
Papel branco, papel machê
Saberia ser eu se não existisse?
Até as coisas que são só sentidas
Existem e há sensações
Lembranças, algo natural

Conversas já conversadas
Roupas bem feitas e já remendadas
Transei com um cara na escada
Você também algum dia já transou
Um dia o pai apareceu
Na hora errada.
Tomei porre, mas tinha que estar de cara lavada.

Normal, tudo normal,
eu não surpreendo com coisas normais.
Não me surpreendo com nada, tudo
É normal, até o sobrenatural.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Mazelas.

Me condenam
Com surpresas
Que não me surpreendem
Nem surpreende a eles
Praticam do que é comentado.

Já provaram
Enjoaram
Colocam culpa em quem
se expõe por agora.

É tempo de boas novas
Mas só restam as mazelas
das velhas.
Bobagens encravadas
Em linguas afiadas.

Me faço fria.
Mesmo sendo quente.